quarta-feira, 22 de julho de 2009

Da arte da Puta que Pariu.

Não consigo escrever ao menos 10% do que eu escrevia antigamente.
E apaguei todos os posts que julgava/julgo infelizes. Mas, conservei os que ainda considero bons.

Seria então a arte poética - ou qualquer merda semelhante - apenas técnica? Ou inspiração? O homem de bom senso diria que é a junção correta dos dois. Mas me encontro em posição desfavorecida, pois perdi grande parte da técnica e quase completamente a inspiração.

Que se foda o encadeamento da questão, quero mais é que esse pensamento vá pra puta que pariu.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Citando Goethe



"... em que o passado reluz como um relâmpago sobre o lúgubre abismo do futuro, em que tudo me rodeia afunda e até o mundo fenece comigo? Não será a voz da criatura opressa, desfalecida, abismando-se solitária e sem auxílio em meio a esforços vãos, que geme: "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?"* E logo eu deveria corar ante esta expressão? Logo eu deveria temer o momento ao qual nem mesmo Aquele que dobra os céus como se dobra um manto conseguiu escapar?"

*Jesus Cristo - Marcos 16, Versículo 34.


Os Sofrimentos do Jovem Werther - Goethe



Não sou fã de citações em blogs, porém seria tamanha asneira contra a natureza humana não compartilhar uma das passagens que mais me causaram êxtase e admiração durante a vida.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Imerso nas trevas


Imerso nas trevas, absorto pelas sombras, derrotado pela cruel idéia de existir... Escuridão! Essa que parece se alastrar do seu interior para o visível. Assim, fazendo-o tatear as gélidas paredes, caminhar com dificuldade por suportar um peso que nunca pedira para carregar. Então vem um momento de estima, tão sádico, mas tão verdadeiro. A estranha sensação da fugir de luz, sentimento tão absurdo esse, porém reconfortante, apreciável, negar a luz para ter longos negros períodos, talvez em busca de algo que não exista.

No entanto, com o tempo o sombrio é alvo da instabilidade, as trevas sofrem terríveis mutações. De força titânica ela se apodera, vem a esmagar com seu poderio os que estão em seu interior, tiranizando, escravizando e triturando-os. Pobres aqueles que se apegam a ela. Ela se recria de si mesma, de macabras formas ela vem a interrogar seus vassalos, sucumbindo-os com sua presença.

Em busca de corrupção ela indaga seus inferiores. Oferece a totalidade, o regresso a luz, de riqueza a poder, tanto sabedoria como imortalidade, de uma única vez, felicidade infinita e virtudes inalcançaveis. Claro, qualquer coisa em troca do âmago do ser, de sua fortuna intelectual, imaginação, também a memória, amores, suas alegrias passadas, dos seus medos e de suas fraquezas tão únicas.

Não! Grita o homem, o diz sem refletir uma única vez, não troca sua mente por nada, não a troca por tudo, nem por outras mil delas, jamais. Ele a ama, grita para o vazio, para a demôniaca voz que o persegue. Prova que ama a si próprio, estinguindo com o som de sua voz - capaz de desmoronar demônios e seus impérios, destronar deuses e destituir seus impérios - a gigante onipotente escuridão.

Mostra-se um Aquíles, também com seu ponto fraco, mas esse não se localiza no tendão e sim na sua apreciação pelas trevas. No entanto, a escuridão não pode ofertar a si mesma para aqueles que a carregam como uma divindade no seu âmago, pois se eles ainda existem, é somente por causa dela, da escuridão, é somente por causa dela que eles ainda insistem em viver, mesmo que imersos nas trevas.

terça-feira, 25 de março de 2008

Os Mortos do Passado


Então ele se pôs a cavar. Essa foi sua única maneira de provar seu amor para ela. Longos dias de um trabalho sobre-humano, claro, cavava com as cruas mãos, pois não possuia os instrumentos necessários. Estava a beira da desistência quando notou que sua mão estava imunda, olhou para o buraco que cavava e entendeu que era sangue. Assim, ficou mais extasiado, não conseguia entender tudo aquilo, no entanto queria descobrir. Quanto mais cavava, mais o chão expelia sangue, ao longo do tempo não era somente sua mão que se sujara, estava completamente ensanguentado, a ponto de se afundar nele.

Submerso em sangue, cavando até mesmo com os dentes quando era insuportável usar suas agora decrepitas mãos. Sentindo um odor repugnante, olhou ao redor. Inúmeros corpos se contorciam, possuiam uma aparência repugnante, veias e músculos esverdeados, feridos ao toque da terra, esfregavam-se convulsivamente uns aos outros. Suas bocas abertas possuiam um cheiro de vômito pútrido, pareciam orar em frenesi, talvez apelar por ajuda. Não sabia se essas aberrações sentiam ódio ou sofriam, se suplicavam ou se rogavam pragas ao novo visitante.

Ficou horrorizado, tendo uma repentina neurose mental, nunca sentira tanta inquietação anteriormente, pensou desesperadamente em regressar, quase instintivamente, como um animal indefeso lutando por sobreviência. Porém o sangue dessa vez o sufocava, a terra o impedia de se movimentar, desesperado se viu gritando, ingeria terra, mastigava sua língua, rasgava sua pele com as unhas, urrava de dor e tentava se fazer ouvir. Engolindo seu próprio sangue, suas palavras tropeçaram, pedindo ajuda, ele gritava por ela, orando em voz alta para que ela o viesse buscar.

Mas era tarde, ela o tinha deixado para trás, o havia esquecido. Ele nunca deixou de chamar por ela, mas isso o que importa? Não faria diferente dos outros que também estavam ali. Era somente mais um, era somente mais um dos mortos do passado.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Pura ilusão de um morto!




Não recordo quando apunhalaram-te nas estranhas. Não ouvi seu agudo grito de dor seguido da perda dos seus objetivos e sonhos, mas sei que ele existiu.

Julgo que amputaram suas pernas, pois impedido está de continuar nessa longa caminhada do dia após dia.

Pelos deuses! Quantos braços foram necessários para te imobilizar com intuito de arrancar teus olhos junto dos prazeres que um homem morto já não pode mais sentir?

Morto! Sim, considero-te morto, escuta bem, não te lembras quando foi retirada tua vida, mas avise-me se cometo um grave erro ao afirmar que tu já não podes, de jeito nenhum, estar vivo.

Tu não sonhas, não desejas absolutamente nada, não te recordas o que é sentir prazer. Claro, sei que sofres, mas esse sofrimento não é nada mais que inércia e passividade, somente assim ele pode existir, pura ilusão. Pura ilusão de um morto!

Considero-me temerário afirmando que se possues algum desejo, ele é unicamente encontrar algo belo e perfeito, em outras palavras, algo inalcançavel para um mero mortal, ou seja, algo que talvez não exista. Pois sim, você absolutamente nada deseja.

Enterra-te moribundo! Talvez assim não precisarás mais carregar o peso de uma vida que não lhe pertence, e jamais lhe pertenceu.

sábado, 15 de março de 2008

Insaciável Fome Cotidiana




O quão grotesco era aquele cotidiano espetáculo. Jazia sob o "céu escaldante" aquele corpo! Suas entranhas espalhadas pelo quente asfalto, semelhante a um banquete bárbaro, atraíam aquele mar de abutres, com seus olhinhos brilhantes, alimentando-se do tormento alheio.

Uma roda daqueles seres repugnantes em volta do tal corpo, outro conjunto deles se encontrava perto do braço mutilado, ainda tinha os que se aglomeravam em volta das vermelhas vísceras, fitando ambiciosamente, como famintos a decidir se comem ou não os restos degradados do que poderia ter sido outrora alimento.

-Foi suicídio? Balbuciavam as aves de rapina uma para as outras.

-Era tão bonito o jovem, que desgraça, Deus.

-Cheio de vida, olhe agora. Porque se matou?

-Que covardia!

Retrucavam sem buscar respostas, procuravam sim, um consolo para a turbulenta visão que os perseguia.

Chegariam, eles, mais tarde em casa, e como um animal chefe do bando dividindo os resultados da caça, repartiriam aquela experiência visual, trazendo enorme desconforto para as já conturbadas mentes. Pobres abutres, eram eles os que mais se auto flagelavam, mas não o sabiam.

O suicídio é o ato mais covarde dentre os covardes, porém é preciso uma coragem titânica para concretizá-lo.

domingo, 2 de março de 2008

Vertigem

estado mórbido, durante o qual se tem a sensação de falta de equilíbrio e em que todos os objectos parecem girar à nossa volta;
tontura;
estonteamento;
delíquio;
vágado;
desmaio.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Hostil

Realmente idealizou como seria prazeroso se em carne e osso se concretizasse toda sua raiva interior? Imagine, o quão agradável seria poder apontar pra alguém e com total convicção poder afirmar:

-Consegue observar o homem à frente? Pois bem, é ele o causador de todos os meus desprazeres terrenos. É bem ele, e não mais ninguém, que é culposo por toda a minha raiva.

Não é somente pelo bem-estar que esse ato proporcionaria, que seria útil incriminar um, digamos, bode expiatório. Agiria contra meus princípios morais e não seria nem mesmo suficiente.

Parecendo impossível a prática desse ato, havemos de escolher o maior culpado pelo nosso declínio entre os demais homens:

-Pois sim, é aquele o maior culpado! Não parece suficiente o castigo dos homens, para que evite-me de cometer as maiores atrocidades contra ele. Pois então, não hesitarei em apertar seu pescoço até que a asfixia o leve à morte.

-Estás sendo um tanto desumano, mas se ele for mesmo o maior culpado dentre os culpados, se sua influência retira tuas forças e o impede de viver, esse malefício além de remédio para tua dor, parece fruto dos atos do causador.

-Tens razão. Mas se o verdadeiro causador dessa raiva se esconde dentre os pensamentos, em reflexos de ações e principalmente atrás dos espelhos que persistem em mostrar a verdadeira face do inimigo? Então o que havemos de fazer?

-Então a batalha já parece ter tido um fim. Logo que somente você é o desgraçado e mesmo tendo armas para lutar contra o inimigo, não as pode usar sem ferir a si mesmo. Esse é verdadeiramente o pior inimigo de todos, pois quando ele se manifesta, já sabemos que estamos em declínio absoluto.

-Ou seja, no contexto moral do que é bom e do que não é, nos parece que não existe solução com uma resolução agradável.

-É exatamente assim.